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segunda-feira, setembro 27, 2004



A luz da sombra


- "Já viste a lua?"

Tinhas-me nua nos teus ombros, soerguias-me na cintura e eu rodava para ti numa vertigem imaginada.

- "Tem um ar radiante, uma luz e um encanto que resistem à falácia do tempo".

Mordias-me então o tornezelo e a tua língua passeava nos meus lábios quais entranhas do vento.

- "Brilha. Já viste como brilha?"

Vergavas para mim e fechavas os olhos ofegantes...

- " Não podes ser tão bonita", murmuraste.

Tinha-te nú no silêncio. Nú sem corpo. Nú sem noite e sem dia. Nú de uma vida tocada pelo brilho da lua.

- "Esta noite buscaste o cheiro dessa lua e com ela impregnaste o meu prazer". Então lentamente cedeste.... e num suspiro gemido suave, extasiaste na minha nudez...

- "Diz-me porque tenho de ser borboleta no tempo..."

(...)

- "Diz-me porque tenho, enfim, de ser sombra quando amo a transparência..."

(...)

- "Não me dizes..."

- "Por vezes, minha querida, a luz que mais ilumina não se vê. Como tu, sem inocência, quando te te tenho nua só para mim".