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terça-feira, novembro 02, 2004



Afectos...


(um post de amor)

tenho saudades vossas.
sei-vos por aqui, pela vida, pelos caminhos que são nossos.
caminhos já partilhados, em cumplicidades feitas de lágrimas e risos delirantes.
colorimos os dias, enfeitamos as horas com palavras, flores e carinhos.
fazemos poemas e cartas e desenhamos os nossos amores
e rimos de nós próprias até não poder mais.
e depois…
partilhamos as dores, as alegrias, as coisas sérias e menos sérias, as nossas vidas
e partilhamos ainda a última página – a ternura de sermos irmãs.

tenho saudades vossas.
ainda hoje estive com todas, mas tenho saudades vossas e minhas.
obrigada por estarem sempre para mim, mulheres de corpo inteiro e alma pura

Floreca
Dora
Fly_Away
Marília

Cá vai a minha prenda
um poema da Teresa Horta

ANJOS MULHERES - VI
As mulheres voam
como os anjos
Com as suas asas feitas
de cristal de rocha da memória
Disponiveis
para voar
soltas...
Primeiro
lentamente uma por uma
Depois,
iguais aos passaros
fundas...
Nadando,
juntas
Secreta a rasar o
chão
a rasar a fenda
da lua
no menstruo
por entre a fenda das pernas
Às vezes é o aço
que se prende
na luz
A dobrarmos o espaço?
Bruxas
pomos asas em vassouras
de vento
E voamos
Como as asas
lhe cresciam nas coxas
diziam dela
que era um anjo do mar
Rondo alto,
postas em nudez de ombros
e pernas
perseguindo,
pelos espaços,
lunares
da menstruação
e corpo desavindo
Não somos violencia
mas o voo
quando nadamos
de costas pelo vento
até à foz do tempo
no oceano denso
da nossa própria voz
Sabemos distinguir
a dormir
os anjos das rosas voadoras
pelo tacto?
Somos os anjos
do destino
com a alma
pelo avesso
do utero
Voamos a lua
menstruadas
Os homens gritam
- são as bruxas
As mulheres pensam
- são os anjos
As crianças dizem
- são as fadas
Fadas?
filigrama cintilante
de asas volteando
no fundo da vagina
Nadamos?
De costas,
no espaço deste século
Mudar o rumo
e as pernas mais ao
fundo
portas por trás
dobradas pelos rins
Abrindo o ar
com o corpo num só golpe
Soltas,
viando
até chegar ao fim
Dizem-nos
que nos limitemos ao espaço
Mas nós voamos
também
debaixo de água
Nós somos os anjos
deste tempo
Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...
Temos um pacto
com aquilo que
voa
- as aves
da poesia
- os anjos
do sexo
- o orgasmo
dos sonhos
Não há nada
que a nossa voz não abra
Nós somos as bruxas da palavra


e um desenho do Michel


meu querido amigo e companheiro de blogue a quem pedi..
- faz-me um desenho para oferecer às minhas amigas…
e ele fez, num instante, sem perguntar porquê.

porque não se perguntam os afectos. nem se explicam. apenas se estimam e se guardam como tesouros.