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sexta-feira, outubro 28, 2005



Fantasias em dia de chuva


Hoje choveu e eu chovi também.
Havia demasiado pó no ar. Sons de fumo misturado com manchas de memórias antigas.
Precisava de água. As bicas na minha serra estavam secas este verão, sabes?
Levei três garrafões e fui serra acima em busca de ti. Ia dando cabo do carro, porque ninguém se lembra de arranjar as bermas de uma estrada perdida no desejo.
Levei três garrafões e percorri o meu corpo em chamas de um verão interminável.

Precisava de água, sabes?
Tinha sede de verdes húmidos, de Outonos cor de mel, de cascatas de espuma nos meus braços nas minhas coxas.
Tinha sede de mim e de ti. Em copos de vinho tinto bebidos à beira mar.

Num dia de chuva. Em que eu finalmente chovi.

E tu me disseste sem metáforas nem rimas:
- Cada um dos poros da tua pele é um orgasmo em miniatura.